Sou um amante de livros, tenho verdadeira paixão por literatura. Acredito que ao ler um livro você

Sou um amante de livros, tenho verdadeira paixão por literatura. Acredito que ao ler um livro você
Sou um amante de livros, tenho verdadeira paixão por literatura. Acredito que ao ler um livro você faz uma viagem por mundos desconhecidos, mundos a serem descobertos.Este blog tem como objetivo a troca de informação literaria, a troca de conhecimento sobre livros. O blog tem em sua maxima, indicar e receber em suas paginas indicações de livros. Formando assim um forum literario de debate e incentivo a leitura. De sua sugestão, sua indicação...vamos fazer da leitura um prazer em nosso cotidiano.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Até quando Palestina???



يُرِيدُونَ أَن يطفئوا نُورَ اللّهِ بِأَفْوَاهِهِمْ وَيَأْبَى اللّهُ إِلاَّ أَن يُتِمَّ نُورَهُ وَلَوْ كَرِهَ الْكَافِرُونَ

"Desejam em vão extinguir a Luz de Deus com as suas bocas; porém, Deus nada permitirá, e aperfeiçoará a Sua Luz, ainda que isso desgoste os incrédulos!"

No Oriente Médio, uma amizade feita de dor e cura
Por ETHAN BRONNER


JERUSALÉM - Ele pode ser impulsivo. Ela pode ser mandona. Vizinhos de porta há quase um ano, eles conversam, assistem televisão e exploram o mundo juntos, entrando um na casa do outro sem cerimônia. Ela gosta da berinjela feita pela mãe dele. Ele gosta do arroz com cordeiro do pai dela.
A amizade muitas vezes começa com a proximidade, mas Orel e Marya, ambos de oito anos, foram reunidos de uma maneira muito incomum. Seu quintal é um corredor de hospital. Ele é um judeu israelense que foi gravemente ferido por um foguete do Hamas. Ela é uma muçulmana palestina de Gaza paralisada por um míssil israelense. Alguém esqueceu de lhes dizer que são inimigos.
"Ele é um menino mau", Marya gosta de dizer sobre Orel, com um sorriso carinhoso. Quando Orel chegou ali, há um ano, não conseguia escutar, ver, falar ou andar. Hoje ele faz tudo isso com hesitação. A metade de seu cérebro foi destruída. Os médicos, que eram pessimistas sobre sua sobrevivência, hoje se surpreendem com seu progresso.
A coluna vertebral de Marya se partiu no pescoço, e ela só consegue mover a cabeça. Inteligente, risonha e cheia de vontade, movimenta sua cadeira de rodas apertando um botão com o queixo.
De certa maneira, a amizade entre duas crianças feridas de ambientes opostos não é tão surpreendente. Nenhuma delas compreende a antiga luta sobre a terra e a identidade que divide as pessoas ali. Elas são crianças. Elas brincam.
Mas, para aqueles que passaram algum tempo em sua presença no Hospital Alyn, em Jerusalém, é quase mais poderoso observar seus pais, que compreendem tudo isso. Eles desenvolveram uma amizade que desafia a rixa nacional. "Os ferimentos de nossos filhos, sua dor, a nossa dor, nos uniram", comentou Angela Elizarov, a mãe de Orel, sentada em uma cama no quarto que divide com o filho.
Ao lado está Marya, com seu irmão de seis anos, Momen, e seu pai, Hamdi Aman. "Importa o fato de ele ser de Gaza, e eu, de Beersheba, de ele ser árabe, e eu, judia? Isso não significa nada para mim."
Foi na segunda semana da ofensiva de Israel em Gaza, há um ano, que Orel foi ferido. Após passar dias em um abrigo, sua mãe o levou no carro. Enquanto dirigiam por Beersheba, uma sirene tocou avisando sobre a aproximação de um foguete.
Ela empurrou Orel para o chão e deitou-se sobre ele para protegê-lo. Quando ouviu a explosão à distância, levantou-se aliviada. Um segundo foguete explodiu, e ela viu que a cabeça de seu filho sangrava muito.
Angela, que é enfermeira cirúrgica, chamou um motorista que passava, que os levou para o hospital onde ela trabalha. "Vi o cérebro dele saindo. Tudo ao meu redor estava queimando, e eu não sofri um arranhão", ela disse. "Quando cheguei ao pronto-socorro, disse para o médico: 'Você não pode me enganar. Sei que ele não tem chance de sobrevivência'. O médico olhou para o outro lado. Mas, depois de seis operações, ele está realmente fazendo algum progresso."
Seu marido, Avrel, que trabalha com crianças, passa a maior parte da semana em casa com sua filha de 18 meses, mas vem visitá-los com frequência.
Seu vizinho no hospital, Aman, 32, é um operário da construção em Gaza, que não apenas cuida de seus dois filhos como ajuda a lidar com Orel. Ele é considerado uma inspiração para funcionários, voluntários e outros pais.
Isso é em parte porque a dor de sua história é difícil de avaliar. Três anos atrás, Aman e seu tio haviam comprado um carro e, tendo pago por ele duas horas antes, o levaram à estrada. Com eles estava a mulher de Aman, seus três filhos e a mãe dele.
Pairando no alto, um caça israelense em uma missão de assassinato buscava seu alvo, um líder militante chamado Ahmad Dahduh. Dois mísseis foram disparados contra o carro de Dahduh justamente quando passava pelo de Aman, matando o filho mais velho de Aman, sua mulher e sua mãe. Marya foi atirada para fora do carro.
Ele e seus filhos estão no Hospital Alyn, especializado em jovens com incapacidades físicas graves, quase todo o tempo desde então. Mas Aman não tem status oficial em Israel e também está criando um filho saudável em um quarto de hospital. Ele quer a residência em Israel ou uma passagem para um país ocidental onde seus filhos fiquem em segurança e Marya receba o tratamento de que precisa.
"Eu nunca achei que houvesse uma diferença entre as pessoas -judeus, muçulmanos, cristãos-, somos todos seres humanos", ele diz. "Trabalhei em Israel durante anos, e meu pai também. Sabemos que não importa o que você é, mas quem você é. E foi isso que ensinei aos meus filhos."

(Transcrito da Folha de S.Paulo/The New York Times, de 11.1.2010).