Sou um amante de livros, tenho verdadeira paixão por literatura. Acredito que ao ler um livro você

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Sou um amante de livros, tenho verdadeira paixão por literatura. Acredito que ao ler um livro você faz uma viagem por mundos desconhecidos, mundos a serem descobertos.Este blog tem como objetivo a troca de informação literaria, a troca de conhecimento sobre livros. O blog tem em sua maxima, indicar e receber em suas paginas indicações de livros. Formando assim um forum literario de debate e incentivo a leitura. De sua sugestão, sua indicação...vamos fazer da leitura um prazer em nosso cotidiano.

domingo, 31 de outubro de 2010

Harlem e Jazz...


Harlem, o "paraiso negro", conserva até hoje a mesma atmosfera pitoresca de 1900, quando ali começaram a chegar os primeiros negros. O bairro mais falado do mundo fora desdenhado pelos brancos, que achavam as casas velhas demais e a ferrovia sobrelevada tolhia a luz dos planos inferiores, o que fazia pairar no ar uma fumaça envolvente e um rumor constante.

Já em 1920, tinha o Harlem uma população de 200 mil habitantes. Entre Harlem Avenue e Harlem River, centralizam-se restaurantes, igrejas, bancos, teatros, escolas, hotéis, bares, cafés, casas de jogos, farmacias, cabarés e salões de beleza. Foi um comercio que marcou epoca na historia do jazz.

As ruas principais eram percorridas dia e noite por mulatas garbosas que frequentavam o salão de beleza de Adelia Walker, especialista em alisar cabelos rebeldes; por homens que iam aplaudir Harry Wills, o maior pugilista negro da epoca; e por todos aqueles que pagavam fortunas para assistir à revistas do Apollo, para dançar no Savoy Ball-Room e gozar as delicias da musica negra do Cotton Club.

Em pouco tempo, os brancos descobriram o Harlem. Lugar que não lhes servia para morar mas que oferecia o maximo em divertimento. E passaram a fazer ali o centro de sua vida noturna. Por sua vez, os negros foram procurar outros lugares onde pudessem beber, cantar, dançar e tocar em paz, sem que os olhos dos brancos os imitassem com aquele "ar estupido de quem olha os especimes raros do Zoo". (Palavras textuais dos musicos de jazz).

Ao longo do quarteirão principal um elegante cabaré (existe até hoje) fazia contraste com as demais casas de diversões. Era o famoso Cotton Club, onde se exibiu por muitos anos Duke Ellington. Os brancos lotavam o clube, a atração maxima do Harlem, ocupando os melhores lugares proximos à pista, em prejuizo dos negros que não podiam divertir-se em seu proprio meio, a seu modo.Enquanto o Cotton Club se desenvolvia num ambiente francamente influenciado pelos brancos, o verdadeiro jazz continuava a viver nas suas formas livre e espontanea. Alguns artistas que começaram a tocar em festas particulares como Frankie Newton, Leon "Choo" Berry, Teddy Bunn,, Pete Brown, Willie "The Lion" Smith, Cliff Jackson e Billie Holiday fizeram fortunas e ficaram conhecidos no mundo inteiro como interpretes do jazz autentico.

Desde os mais remotos tempos os brancos endinheirados correm em busca das aventuras pitorescas do Harlem e do jazz que ali se executa como obrigação cotidiana. Eles mesmos fizeram do Harlem a sua lenda das mil e uma noites. Conheceram de perto os "jazz-men" famosos. Beberam e saborearam "tanderloin" (pernas de porco) com figuras estranhas e pitorescas embriagadas de opio, marijuana e fumaça sem saber que gozavam da companhia dos "gangsteres" mais famosos e temidos do bairro negro.

O Cotton Club não era bem visto pelos negros por ser refugio de "gangster" (lugar "Jim-Crow") e dos milionarios brancos que frequentavam o Harlem todas as noites certos de que os negros adoravam vê-los dançar como macacos imitando-os nos dificeis passos do "black-botton".

Muitos brancos acreditavam que a vida do negro do Harlem consistia em beber, dançar, cantar e tocar sem nenhuma preocupação pelo trabalho. Esse conceito falso deu origem a uma falsa musica. Os rituais africanos começaram a ser revividos não com sua força e beleza selvagens mas com o artificialismo onde o branco encontrava um exotismo fabricado que ia ao encontro de seus anseios esnobes.

Foi tamanha a afluencia de brancos no Harlem que os proprietarios de bares, cabarés e teatros pensaram em proibir ao negro a entrada naqueles locais o que redundaria em erro gravissimo. Pois os brancos só iam ao Harlem atraídos pelos negros e para ver de perto a maneira pela qual eles se divertiam e faziam jazz.

Assim é que os jazistas e atores negros foram fugindo dos cabarés, preferindo reunir-se ora em casa de um e de outro, em festas privadas ou em lugares a que os brancos não ousavam chegar, julgando-se perigosos.

Os brancos que visitavam o Harlem sempre tiveram uma impressão erronea da musica de jazz. Estavam sempre à espera de que um corpo negro ensanguentado surgisse na calada da noite, num beco sordido ao som dorido dos saxofones e do ritmo ensurdecedor das baterias. Na verdade, o Harlem é bem diferente de outros bairros. Ganhou fama e caracteristicas que ainda hoje são comentadas no mundo. Porem sua gente não está alheia às coisas comuns da vida. Trabalhou sempre duramente para viver. Comia mal, dormia em lugares infectos, arrastando um destino tragico e doloroso, que os langorosos "blues" registram.

Ainda hoje o Harlem é assim: uma pequena cidade de negros superpovoada. As casas continuam caindo aos pedaços e são poucos os meios de recreação. Os problemas de condução são alarmantes. Entretanto, é onde se encontra o maior numero de igrejas, maior espirito publico e maior sentimento de solidariedade do que qualquer outro lugar de semelhantes condições de vida - conforme afirmação do inspetor de policia James Boland.

O prefeito não oficial de Harlem, Willie Bryant, ao lado de outros harlemitas, lutou incansavelmente para tornar aquele bairro um centro-modelo, mesmo para as comunidades de brancos, fazendo palestras nas escolas e associações de pais, Liga Atletica Policial, Exercito da Salvação e demais organizações.

Quanto ao jazz, não é uma historia da Carochinha vivida pelos negros e que os brancos pretendem contar à sua moda. O jazz é antes de tudo um marco na historia da liberdade de negros que viveram e vivem ainda hoje uma existencia comum. O Harlem é um dos centros responsaveis pelo jazz. É um bairro excentrico onde palpitam os anseios de uma comunidade. Onde homens fazem jazz sob qualquer pretexto, quando não o fazem como meio de vida.

Comenta-se que o negro que não tocou jazz no Harlem não passou pela prova de fogo maior. Ellington, Fitzgerarld, Billie Holliday, "The Lion", todos tiveram sempre essa credencial que lhes valeu exitos. E como certa vez afirmou Ellington: O Harlem é o berço do jazz castiço. Quem quer que tenha feito jazz ali, aprendeu como os negros tocam. Exauriu-se em "jam-sessions", arrancou "cachês" insignificantes, conheceu "gangsters", ingeriu drogas e encontrou um caminho. Um caminho perigoso onde negros e brancos evitam encontrar-se nas madrugadas.