Sou um amante de livros, tenho verdadeira paixão por literatura. Acredito que ao ler um livro você

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Sou um amante de livros, tenho verdadeira paixão por literatura. Acredito que ao ler um livro você faz uma viagem por mundos desconhecidos, mundos a serem descobertos.Este blog tem como objetivo a troca de informação literaria, a troca de conhecimento sobre livros. O blog tem em sua maxima, indicar e receber em suas paginas indicações de livros. Formando assim um forum literario de debate e incentivo a leitura. De sua sugestão, sua indicação...vamos fazer da leitura um prazer em nosso cotidiano.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Não é o fato de eu pertencer a cultura Àrabe...é uma questão Histórica!!


As imagens da força militar de Israel foram transmitidas ao mundo inteiro. Soldados disparando na cabeça dos feridos. Tanques derrubando paredes de casas, escritórios, o complexo de Arafat. Centenas de crianças e homens, com as cabeças encapuchadas, sendo levados à coronhadas para os campos de concentração; helicópteros artilhados destruindo mercados; tanques destruindo olivais, laranjais e limoais.

As ruas de Ramallah devastadas. Mesquitas e escolas crivadas de balas, desenhos de crianças feitos em pedaços, crucifixos transformados em cacos, paredes pichadas pelos saqueadores do exército israelense. Milhões de palestinos rodeados por tanques: com a eletricidade cortada, a água, os telefones, sem alimentos. As tropas de assalto arrombam as portas e quebram os móveis e utensílios domésticos, o que seja que torne possível a vida.

Por acaso alguém pode hoje em dia dizer que não sabia que os israelenses estavam cometendo um genocídio contra todo um povo amontoado nos sótãos, sob as ruínas de seus lares?

É negada deliberadamente aos sobreviventes entre os feridos e agonizantes a assistência médica; as decisões sistemáticas e metódicas do Alto Comando israelense são de bloquear todas as ambulâncias, de prender e até atirar contra os motoristas e pessoal de emergências medidas. Temos o duvidoso privilégio de ver e ler no mesmo instante como se desenvolve todo este horror por parte dos descendentes do Holocausto, os que com hipocrisia e rancor reivindicam o monopólio do uso da palavra que melhor descreve o ataque contra todo um povo, com a cumplicidade da maioria dos israelenses – exceto umas poucas almas valentes.

O público israelense, seus meios de comunicação e jornalistas se escandalizaram quando o português ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, José Saramago, confrontou-os com a verdade histórica: “O que está acontecendo na Palestina é um crime que podemos comparar com o que ocorreu em Auschwitz”.

O público israelense, ao invés de refletir sobre seus atos violentos, lançou-se contra Saramago por este ter se atrevido a compara-los com os Nazis. Em sua cegueira moral, Amos Oz, o escritor israelense e por muito tempo pacifista – até que Israel entra em guerra – acusou Saramago de ser um “anti-semita” e de uma “incrível cegueira moral”. A profunda imoralidade de uma guerra contra todo um povo é um crime contra a humanidade. Não há exceções especiais. São exatamente esses intelectuais israelenses e da diáspora que se dizem “progressistas” que expuseram sua própria cegueira nacional e sua covardia moral, encobrindo suas desculpas para o terror israelense com os trapos das vítimas do Holocausto de há 50 anos.

É preciso apenas ler a imprensa israelense para compreender a validade da analogia histórica de Saramago. Dia a dia, líderes proeminentes e respeitáveis eleitos pelo eleitorado judeu ‘bestializam’ seus adversários palestinos, tudo isso com o propósito de justificar melhor sua própria violência desenfreada. Segundo o diário israelense Ma Arriv – citado por Robert Fisk – um oficial israelense aconselha a suas tropas estudar as táticas adotadas pelos Nazis na segunda guerra mundial. “Se o nosso trabalho é tomar campos de refugiados densamente povoados em Casbh de Nablus, um oficial deve analisar as lições das guerras passadas, inclusive analisar como o exército alemão atuou no gueto de Varsóvia”.
Quando a imprensa hebréia acusou a Saramago de ser anti-semita, estavam dispostos a estender essa calúnia aos oficiais de seu exército e a suas tropas por utilizar as mesmas analogias?
Será que os oficiais israelenses também vão alegar simplesmente que “estavam cumprindo ordens” ao destruir edifícios com mulheres, crianças e idosos em seu interior?
Nos fóruns mundiais – desde a União Européia até as Nações Unidas e em todo o Terceiro Mundo - se condena Israel por atos contra a humanidade. Os defensores de Israel descobrirão que tachar os críticos de “anti-semitas” já não intimida as pessoas. A opinião pública mundial viu e leu muito. Estamos nos dando conta de que as vítimas podem se transformar em executores; que a ocupação militar leva à limpeza étnica e às expulsões massivas; que os arranhões podem se transformar em gangrena.
De forma previsível, Washington apóia as poderosas organizações judias e os militaristas da extrema-direita: É somente o governo que respalda o terrorismo do estado israelense, contra os líderes de fé cristã e muçulmana, e contra os interesses das maiores companhias petroleiras e de seus aliados da Arábia Saudita e do Kuwait.
Enquanto que pequenos grupos de dissidentes israelenses protestam e muitos reservistas se negam a servir no exército de ocupação, o comentário de Saramago sobre a opinião pública israelense se aplica igualmente à maioria da diáspora pró-israelense: “Um sentimento de impunidade caracteriza hoje em dia o povo israelense e seu exército. Foram transformados em rentistas do Holocausto”. Com a prática de um estado policial qualquer, Israel retirou todos os livros de Saramago das livrarias e das bibliotecas. Com a mesma seriedade com que se preparou para o genocídio, o estado israelense proibiu a entrada de todos os jornalistas aos guetos palestinos, a exceção daqueles que absorvem os comunicados de imprensa do exército israelense.
Como na Alemanha Nazista, todos os homens palestinos entre 16 e 60 anos são capturados, muitos deles despidos, algemados, interrogados, e muitos deles torturados. As famílias dos combatentes da resistência palestina são feitas reféns, sem água, alimento ou eletricidade. Os soldados israelenses saqueiam as casas e roubam qualquer objeto de valor, destruindo os móveis. Como os nazistas, deixa-se morrer centenas de palestinos feridos enquanto que as tropas israelenses bloqueiam todas as ambulâncias. Centenas de milhares enfrentam a desidratação e a morte por inanição, dado que se cortou todo o fornecimento de água e alimento. Tropas israelenses, tanques e helicópteros, destruíram todas as cidades principais e campos de refugiados: Tulkarm, Al Bireh, Al Jader, Beit Jala, Oalquilya, Hebron. A descoberta de um só combatente da resistência resulta em culpa e castigo coletivos: pais, filhos, tios e vizinhos são arrastados pela força e levados aos campos de concentração, campos de futebol e parques infantis reconvertidos.
É evidente que a indignação israelense e judia pela equiparação feita por Saramago do terrorismo israelense com Auschwitz colocou o dedo sobre uma ferida sensível: o desprezo em relação a si mesmos dos executores que se dão conta de que são discípulos de seus carrascos e que, a todo custo, devem negar isso. Até hoje, todas as apelações feitas pelos árabes moderados perante Bush, para que intervenha para por fim ao massacre perpetrado pelos israelenses foram fúteis. Washington reiterou seu apoio a Sharon, à invasão e à guerra contra os palestinos. Não há nenhum poder nos EUA possa se contrapor ao dinheiro e à influência do lobby israelense e de seus poderosos aliados judeus. Em outros lugares, no entanto, há esperança. A Via Campesina e os seguidores de José Bové fizeram um apelo para por em prática um boicote dos bens e serviços israelenses. Israel depende fortemente de suas exportações à União Européia. As reduções nos envios de petróleo dos países exportadores, particularmente da Arábia Saudita, Kuwait, Iraque e Líbia poderiam provocar um forte aumento dos preços do petróleo e uma crise econômica de importantes proporções nos EUA, Europa e Japão. Isto poderia endireitar a covardia européia e despertar a consciência do público norte-americano.
O que está absolutamente claro é que enquanto que Tel Aviv contar com a alavanca do lobby israelense em Washington e com o apoio de Bus, não importa que quantidade de resoluções das Nações Unidas, Convenções de Genebra e apelos europeus sejam feitos, estes serão ignorados por completo. Na mentalidade de bunker de Sharon e de seus paranóicos seguidores israelenses são todos anti-semitas, seguidores dos Protocolos de Zion, que tentam desmoralizar os israelenses para que não realizem a missão bíblica de uma Grande Israel, um povo, uma nação, um Deus; a expulsão de todos os palestinos de sua Terra Prometida.
A opinião pública mundial não pode continuar passiva e repetir a tragédia do Holocausto judeu do século XX no século XXI. Ainda há tempo.
Mas por quanto tempo pode resistir um povo heróico sem água e comida?